Startups de saúde voltadas para mulheres crescem no país e trazem apps, telemedicina e dispositivos para temas antes pouco discutidos.
Nos últimos anos, um setor de tecnologia criado especificamente para atender demandas de saúde das mulheres ganhou força no Brasil e no mundo: as femtechs. O termo reúne aplicativos, plataformas e dispositivos voltados para áreas como ciclo menstrual, fertilidade, menopausa e saúde sexual, temas que historicamente receberam pouco investimento e pouca pesquisa. Com a digitalização da saúde e a busca por soluções mais personalizadas, essas empresas passaram a ocupar um espaço que antes era praticamente inexistente no mercado brasileiro. Esta matéria explica o que são as femtechs, como atuam na saúde sexual feminina e quais desafios ainda enfrentam para crescer no país.
O que são as femtechs e por que elas cresceram tanto
O termo femtech se refere a empresas de tecnologia voltadas especificamente para mulheres e foi criado em 2016 por Ida Tin, cofundadora do aplicativo Clue, voltado ao monitoramento do ciclo menstrual. Desde então, o conceito se expandiu para abranger diferentes frentes de cuidado, sempre com o objetivo de colocar as necessidades femininas no centro do desenvolvimento tecnológico. Poder360
O crescimento do setor aparece de forma consistente nas projeções de mercado. O mercado global de femtechs deve manter uma taxa de crescimento anual de 13,3% até 2026, depois de ser avaliado em mais de 50 bilhões de dólares em 2023, segundo levantamento da consultoria Arizton Advisory & Intelligence. Já a consultoria McKinsey estimou, em 2022, que o mercado global poderia ultrapassar os 50 bilhões de dólares até o fim da década, impulsionado pela maior digitalização da saúde e pela demanda por soluções personalizadas, depois de décadas em que a pesquisa médica priorizou o corpo masculino como padrão. Meio e MensagemEstado de Minas
Como essas tecnologias atuam na saúde sexual e íntima das mulheres
Dentro do universo das femtechs, a saúde sexual ocupa um espaço próprio. Empresas do setor desenvolvem tecnologias para autocuidado feminino voltadas a questões como infecções urinárias recorrentes, secura vaginal, dor durante o sexo e disfunções hormonais, além de plataformas que promovem saúde íntima por meio de educação sexual e monitoramento de sinais do corpo. O modelo costuma combinar aplicativos, conteúdo informativo e acompanhamento profissional à distância. Saudebusiness
No Brasil, alguns exemplos já são conhecidos do público. As marcas nacionais Feel e Lilit, hoje fundidas em uma só empresa, comercializam produtos voltados à saúde sexual da mulher, como lubrificantes e vibradores, pensados para o conforto e a saúde em diferentes momentos da vida. Outro exemplo é uma plataforma voltada especificamente à menopausa: a Plenapausa, empresa brasileira criada em 2021 com foco em mulheres que passam pelo climatério, oferece materiais educativos e ferramentas digitais para ajudar as usuárias a compreender sintomas e mudanças comuns desse período da vida. Poder360Esteticare
O crescimento desse tipo de tecnologia também trouxe debates importantes sobre privacidade. Como essas plataformas lidam com dados de saúde extremamente sensíveis, o tema já resultou em disputas judiciais no exterior, como o caso do aplicativo de ciclo menstrual Flo Health, nos Estados Unidos, que terminou em um acordo de indenização às usuárias após uma ação coletiva. O episódio serve de alerta para o cuidado que empresas brasileiras do setor também precisam ter com a proteção de dados íntimos. CNN
Os desafios do setor no Brasil e o que esperar daqui pra frente
Apesar do potencial do mercado, o Brasil ainda enfrenta obstáculos estruturais para que as femtechs cresçam de forma equivalente a outros países. Segundo dados da Femtechs Brasil, apenas 4,7% das startups do país são fundadas por mulheres, mesmo que o público feminino seja responsável por 90% das decisões relacionadas a cuidados de saúde na família. Especialistas do setor apontam que falta mais incentivo ao empreendedorismo feminino e à presença de mulheres em posições de liderança na área de tecnologia. Meio e Mensagem
Quando o assunto é especificamente sexualidade e intimidade, a lacuna de dados é ainda maior. Sexo segue sendo a área mais desprovida de pesquisa e dados no Brasil, e tanto femtechs quanto sextechs enfrentam dificuldade para obter financiamento e para embasar suas soluções em estudos consistentes sobre o tema. Isso limita o alcance de produtos que poderiam ajudar a preencher lacunas históricas de informação sobre o corpo e o prazer femininos. RME
Ainda assim, a tendência é de expansão gradual, à medida que mais mulheres ocupam espaços de liderança em saúde digital e que o público passa a demandar soluções mais específicas para suas necessidades. A combinação de aplicativos, telemedicina e dispositivos conectados tem potencial para tornar o cuidado com a saúde sexual feminina mais acessível, desde que caminhe junto com investimento em pesquisa e em proteção de dados. O setor de femtechs mostra que tecnologia e saúde da mulher podem andar juntas, mas o caminho para consolidar isso no Brasil ainda depende de mais dados, mais investimento e mais representatividade feminina na própria construção dessas soluções.
Fontes consultadas:
- https://www.poder360.com.br/tecnologia/femtechs-devem-movimentar-mais-de-us-70-bilhoes-ate-2026/
- https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/o-que-e-femtech-entenda-tecnologia-voltada-a-saude-das-mulheres/
- https://www.saudebusiness.com/healthtechs/femtechs-saude-da-mulher/
- https://www.meioemensagem.com.br/womentowatch/femtechs-projetam-crescimento-para-os-proximos-anos
- https://rme.net.br/femtech-a-industria-revolucionaria-de-tecnologia-feminina/
- https://www.em.com.br/emgiro/2026/04/7400857-a-revolucao-da-saude-feminina-o-crescimento-das-femtechs-e-a-personalizacao-do-cuidado-com-fertilidade-menopausa-e-hormonios.html
- https://www.esteticare.com.br/femtech-ganha-espaco-na-saude-digital-e-amplia-solucoes-voltadas-as-mulheres/