Dados da quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram a dimensão da violência sexual contra adolescentes no Brasil. Divulgado em 25 de março de 2026, o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 8,8% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram ter sido obrigados a manter relação sexual contra a vontade. O percentual corresponde a aproximadamente 1,1 milhão de adolescentes.
A pesquisa foi realizada em 2024 com estudantes matriculados nos ensinos fundamental e médio, em escolas públicas e privadas de todo o país. Por isso, os resultados divulgados em 2026 retratam informações coletadas dois anos antes. A PeNSE é uma das principais fontes nacionais sobre saúde e condições de vida de estudantes, permitindo identificar situações de vulnerabilidade que exigem atenção de famílias, escolas e serviços públicos.
O que revelou a PeNSE 2024
O levantamento também investigou situações de assédio sexual. Segundo o IBGE, 18,5% dos escolares disseram ter passado por situações como ser tocado, beijado ou exposto a partes do corpo contra a própria vontade. O indicador representa um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação a 2019.
As respostas mostram que a violência sexual pode aparecer em diferentes formas e contextos, não se limitando a um único tipo de ocorrência. Qualquer situação sexual sem consentimento deve ser levada a sério, especialmente quando envolve adolescentes. O reconhecimento do problema é importante para que a vítima não seja responsabilizada e para que a rede de proteção possa agir.
Meninas são as principais vítimas
As meninas apresentaram os maiores percentuais nos indicadores analisados. Entre elas, 11,7% relataram ter sido obrigadas a manter relação sexual contra a vontade, enquanto o índice foi de 6,0% entre os meninos. No caso do assédio sexual, a diferença também foi expressiva: 26% das meninas disseram ter passado por esse tipo de situação, diante de 10,9% dos meninos.
A rede de ensino também aparece como um marcador de desigualdade. A proporção de estudantes que relataram terem sido forçados a manter relação sexual foi de 9,3% na rede pública, contra 6,4% na rede privada. Entre os adolescentes que sofreram a violência sexual, 66,2% tinham 13 anos ou menos quando o episódio ocorreu, conforme os dados apresentados pelo IBGE Educa.
Consentimento é essencial
Consentimento significa que a pessoa concorda livremente com uma prática sexual, sem pressão, ameaça, medo ou qualquer forma de imposição. Ele precisa existir em todas as situações e pode ser retirado a qualquer momento. Silêncio, constrangimento ou ausência de resistência não devem ser interpretados como autorização.
O Ministério da Saúde classifica a violência sexual como uma violação de direitos humanos e uma questão de saúde pública. A orientação também reforça que qualquer prática sexual realizada sem consentimento é uma forma de violência sexual. Esse princípio vale independentemente do vínculo entre as pessoas ou do local em que o episódio ocorreu.
Como familiares, escolas e serviços podem agir
O acolhimento deve priorizar a segurança e a escuta do adolescente. Familiares e profissionais precisam evitar julgamentos, acusações ou perguntas que transfiram para a vítima a responsabilidade pelo que aconteceu. Também é importante respeitar o tempo da pessoa para falar e buscar apoio na rede de saúde e de proteção.
Escolas e serviços de saúde têm papel relevante na identificação de situações de violência e no encaminhamento adequado. Diante de um relato ou suspeita, a prioridade deve ser proteger o adolescente, preservar sua privacidade e acionar os serviços responsáveis, sem expor a situação ou tentar conduzir uma investigação por conta própria.
Os resultados da PeNSE 2024 reforçam a necessidade de tratar consentimento, prevenção e proteção como temas de saúde e educação. A violência sexual contra adolescentes não deve ser naturalizada nem atribuída ao comportamento da vítima. Informação qualificada, escuta responsável e atuação articulada podem ajudar a interromper situações de violência e ampliar o acesso ao cuidado.
Fontes: IBGE; IBGE Educa; Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar; Ministério da Saúde.